Tão distante. Tão avulso. Tem dias que eu queria ser apenas mais um ser imóvel em meio às mudanças. Mudanças da alma, de carater, de amores, nomes e roupas, ora mudanças das quais não se tem controle.
Como são divergentes, as certezas nem sempre são verdades, mas curiosamente as verdades são certezas, pois foram criadas para esse propósito por alguém.
Verdades que contei. Verdades que escrevi. Verdades que eu quis que me dessem. Verdades, eu só pedia verdades.
Tantas coisas nos rodeiam, tantas pessoas nos cercam, nos acrescem, mas mesmo assim falta uma palavra, um apoio, um olhar, uma parte que ti ofereça com certeza em que acreditar, em que depositar sua fé e defender com veemência a verdade da qual se propôs a declarar.

Eu quis um alguém em quem confiar.Alguém que eu pudesse depositar minhas lagrimas, meus objetivos, minhas experiências. Não precisava ser amor, algo que envolvesse cama, nem ser um irmão, algo com laço de sangue, podia e eu até preferia que fosse um amigo, um cara que me entendesse só de olhar meus olhos, que vesse além da minha armadura, que simplesmente disse-se vou contigo ou que me liberta-se quando fosse chegada a hora.
Poderia ser meio inconsequente, meio guri, que gostasse de festas, que bebesse um pouco ou muito de ficar tonto e dar vexame no bar,que tivesse ciúmes de mim, claro, comedidamente, que fosse meio mãe e pai, que as vezes brigasse comigo como irmãos fazem ou que simplesmente sumisse por ai, por algumas horas ou dias, mas que voltasse assim que pensa-se em como eu poderia estar.
E com toda sua sinceridade me disse-se a verdade, que me fala-se sem pudor, sem receio, só disse-se o que tinha que ser dito da forma mais brutal e sacana possível, para que eu entendesse. Chora-se, sofre-se, mas que aprendesse com as palavras o que na prática tu não querias que acontecesse.
Suas palavras teriam sempre minha credibilidade, seu colo seria meu porto seguro e seu carinho seria visível, transparente.
Sei que é pedir muito, por isso desisti dessas falsas promessas, dos meus sonhos encantados.
Acordei e vi que as pessoas podem ser cruéis, podem mentir por que a verdade tem sempre dois lados, sendo que a minha forma de vê-la depende muito do meu caráter, da minha educação. Em meio a minha crueldade ou simplesmente frustração, descobri que eu nunca tive um amigo assim, tive pessoas incompletas, mas o espelho reflete muitas imagens uma delas é o nosso interior, onde eu nunca fui o amigo que quis, por isso talvez nunca tenha conhecido alguém assim, inteiro.
Em meio aos acertos, eu me reergui e deixei de pensar no que queria e sim no que preciso. Preciso mais de mim e menos dos outros, na vida todo mundo passa, uma hora vai passar tudo aquilo que vivemos sem pensar.
E todas as verdades serão parte de um passado que felizmente passou.

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