Desculpe, estou tendo uma DR comigo mesmo. Nada de anormal, nem grave. Mas, ando em discordância veemente com o tempo. Estranho este presente que vivemos hoje, sempre correndo, como se o tempo tivesse sempre um passo adiante da vida que vivemos, como se o nosso organismo estivesse sempre atrasado, estagnado mediante o tempo, que em alta velocidade corre descontrolado.
Estamos no século 21, aquele que todos alegam ser o século da evolução da ciência, da humanidade, mas quem diria ainda vivemos com a ociosidade do homem que espera que uma tecnologia salve sua alma. Utópico. Mas acontece que a tecnologia não veio nos tirar o ócio, nem nos abster das coisas banais da vida, que apesar de banais são de suma importância para o desenvolvimento interpessoal. Essa tecnologia é meramente uma forma de aumentar o capital e destituir pessoas de caráter a serem meros consumidores de almas e não de conhecimento.

A questão mais comum hoje é que não vivemos e nem estamos aptos para isso, ora raios temos que ao menos funcionar nessa coisa chamada vida. Porém sempre teremos questões como por que o tempo não para? Para que continuar em um caminho que parece inútil? A estas questões ridículas que os homens se testam, buscando uma visão narcisista de si mesmo e da vida que queriam ter?
É notório como o ser humano teme a sua própria competência, inteligência e fé.
Nada irá mudar as perspectivas de um tempo ou dia bom que está por vir, mas a esta questão não há o que esperar, tudo é incerto demais para ser levado como certeza absoluta.
Antes, vivíamos sem essas sensações de autodomínio, tínhamos sessões de filmes preto e branco, fotos em sépia entre outras situações que são reflexos do passado. Antes não se tinha medo de viver.
Hoje não à mais tempo para essas alusões de verdades. Hoje eu estou ai para o mundo e mais comigo mesmo.Eu vi um passado ir embora sem deixar marcas, vi meus passos espalhados por um chão que não eram mais as seguranças dos meus pés. Vi e vivi tantas coisas que perdi a noção do tempo e do quando, o hoje é quase ontem e o ontem já passou há muito tempo atrás.Nesse mundo onde eu nunca soube o que buscar, eu me recoloquei na vitrine de uma loja qualquer, para ser escolhido por um alguém qualquer, quase que esperando uma liquidação barata, para sair da monotonia da minha vida e voltar à ativa.
Voltar a concorrer a corações, a corpos, a mentes, a horas de conversas bobas com visões, reflexões de vidas que se cruzam sem propósito explicito.
Esperando que essas conversas fossem me render mais que apenas uma casa para residir, mais do que ver etiquetado em mim um valor abaixo do que de fato eu deva valer ou vice versa vai saber. Hoje é tanta informação e inovação misturadas, onde mau se vê refletido os sonhos, aqueles que nos tiram o sono, que nos fazem remexer na cama, que nos acorda no meio da noite com a sensação de alivio, foi apenas um sonho.
Deixamos de viver cada dia de uma vez, para globalizar todo e qualquer sentimento, em um misto abstrato de valores e preocupações inexistentes. Onde sofrer é caracterizado como aprendizado, até mesmo com um pouco de desdém fingir, encenar, o ato de sentir apenas o desejado e consolidar dentro de si mesmo capsulas de veneno, perdoe, magoas, que frequentemente irá como um conta gotas envenenar a circulação sanguínea pelo corpo todo até dominar a alma com a sensação de revolta, de tristeza e nostalgia, criando um homem de papel, sem um coração pulsante. Sofrendo calado por meses, anos talvez.
Tudo isso para saber o que se passa fora de si mesmo. Para não se importar com o mundo sentimental, se torna vergonhoso reconhecer sentir quando o mundo pede mais razão. Se tornar vivo, quando o mundo pede mais subversão, ser humano, quando tudo pede para ser fortaleza. Mundos digitais, paralelos em cada homem e mulher, transformam a real humanidade em um povo pouco humano e mais racional, tecnologia dos sentimentos, torna o amor presente apenas nos contos de fadas, torna o sentimento um parente distante, aquele que quase nunca se vê. Seria tolice te-lo sempre por perto, um sinal de fraqueza.
Pois eu declaro, sou assim, um humano das antigas, daqueles que gosta de comer acompanhado, que gosta de ter fotos preto e branco, que coleciona selos, que bebe para curar uma dor qualquer,que gosta de um ombro para chorar, sim eu choro, me deixo entregar as sensações de fúria, de solidão, de amargura, de amor e paixão. Eu sinto, sinto falta disso, daquilo, do antes onde sentir era considerado um privilégio.
Nesse mundo de hoje me sinto construindo um futuro robotizado, do qual eu sou uma pedra no caminho. Não estou a leilão, não vendo meus sentimentos ou meu coração. Não troco uma palavra de carinho e amor, por nenhuma convicção. Desculpe-me se me faço eloquente, mas ser de aço não faz parte dos meus planos.

Este de fato é o que eu mais gosto.
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