quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Lá Atras


Podemos dizer que passou, que quem fomos um dia ficou para trás. Da mesma forma que sentimos que mudamos pelo aprendizado adquirido ou pelo sofrimento vivido nós também passamos, várias vezes, por que temos que passar incessantemente para distinguirmos o antes do hoje e do que seremos amanhã. Passar é a única certeza que quero ter. Cansei de lembranças tolas e de cicatrizes que ainda ardem, que de certa forma me deixa suscetível a sensações extremas. Descobri que meu peito ainda pulsa, que meu sangue é vermelho escuro e que meu corpo rasga e sangra com perdas. Mas isso passou ou vai passar, toda dor, todo medo, todo vicio eu fui curar sem me permitir baixar a guarda eu caminhei e construí em mim hoje um muro, igual aquele de Berlim, aquele que dividia amores, medos, crenças, talvez eu tenha medo ou só tenha memórias.
Me vejo como um gárgula sozinho no escuro da noite eu me liberto e vivo, eu voo e me deixo levar, de dia sou mais uma estatua a vivenciar a vida alheia, vegetar em meio a tudo que é comum. Quero que sejas real, não quero mais brincar de sonhar de olhos fechados.

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