segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Medo


Eu tive medo de não ser mais a mesma, de olhar no espelho e com certeza ver nele não a mim e sim você, esculpida entre as marcas na minha face.
Descobri que ainda pensava em ti como antes, como se por um milagre divino, você tivesse sobrevivido aos meus momentos de nostalgia e tivesse voltado.
Batendo na porta como um estranho, como um alguém vazio, pedindo um pouco de vida. Eu não sei como me senti ao ver você ali em mim, tão vibrante, tão latente, quase não pude entender, por que eu não conseguia te esquecer.
Naquele espelho, no meu reflexo, aqueles olhos que não eram meus vasculhavam meu interior e confrontava os meus desejos. Não podia ser real, era tão sem pudor, tão natural que eu sentia essa invasão, mas não tinha força para retirar das lacunas do meu coração aquela parte sua chamada solidão. Sempre fui teu abrigo, teu abraço forte, teu mundo, e continuei assim até que algo quebrou em mim.
Nesses momentos de pura lucidez eu me sentia, sabia que não existia mais o nós há tanto tempo que só nessa realidade eu aceitava a sua ida. Mas eu adoro a insanidade, essa loucura chamada realidade inventada. Passei a acreditar nas minhas verdades, que eram as únicas verdades que me fazia inteira, nesses simplórios momentos de insanidade eu era mais vez completa.
O medo da lucidez se tornou cada vez maior, então desisti de tentar correr, desiste de tentar te fazer viver. Sou insana, sou sozinha, sou retalhos, às vezes sou eu, às vezes sou você, mas o que importa? Afinal eu não consigo ser nada mais que ilusões. Eu tenho medo dos dias vazios sem você, dos momentos que agora só são meus, que são simples, na maioria dos dias são preto e branco, são neutros...
E de insanidades, de reflexos, de saudades, eu vivo suportando a lucidez que existe em mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário