Eu sou assim um misto de incertezas e sonhos.
Planos, verdades, todos com um único propósito, me
fazer pulsar.
Assim eu simplesmente sou ou me deixo ser devido a
circunstâncias do medo de sofrer. Não nego que por muito tempo tive medo, medo
de não conseguir me doar a um propósito, a um desejo.
Teve momentos em que cheguei a parar abdicar das
sensações, ser um telespectador da minha própria história, parei de viver
construindo o hoje, comecei a viver do passado que insistia em não passar. Como
me apaixonei por essa vida morna e única que tive me entreguei pela primeira
vez à situação de abandono. Eu me abandonei, eu quis ser assim mais um comum em
meio a tudo.
Acabei me cansando de tudo e indo embora, era mais
fácil deixar tudo para trás que consolidar os erros, anseios, sonhos, dores,
amores e mudar.
Entre minhas idas e vindas, descobri que não tenho
apego algum, nada me retém, nada é meu, sou um todo ou o nada depende de quem
me vê.
Numa súbita sensação de liberdade abro mão do amor,
e ao vê-lo por vezes ficando e eu indo, desisti de amar por simplesmente não
saber lidar com os sentimentos incompreendidos que resistem ao tempo dentro de
mim.
E quer saber não ligo se eu não mudei se ainda tenho
medos, se continuo livre sem apegos. Por que eu sei o que busquei esse tempo
todo, redenção.
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