terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Tristeza


       Minha querida eu sinto em dizer, por que sei como era importante para ti. Sentirei saudades das horas que passamos juntas vislumbrando a rua da sacada do quarto, me acostumei com sua presença, com sua carência de companhia, porém hoje não há mais motivos para continuarmos juntas. Para ser sincera perdi muito tempo ao seu lado, acreditando que a vida e o mundo eram só aquilo que me mostrava pela janela.

     Pois é querida acordei, fui revirar meu quarto, juntar suas coisas e te convidar a sair da casa. No começo será difícil por que como disse me acostumei a te ter presente, desde que me conheço eu deixei de fazer coisas das quais gostava, coisas que me faziam sorrir, que me afastavam de ti. Festas de amigos que nunca pude ir, flashs de lugares que passei sem me importar com a beleza de que era viver. Tu exigias toda minha atenção e prestatividade, fazia de mim teu abrigo.
     Querida hoje é a alegria que está esperando no hall para entrar, aguarda calmamente tua saída para me acompanhar nesta nova jornada da vida. Antes que saia definitivamente, TRISTEZA, devolva-me meus CDs, meus livros, aqueles do Fernando Pessoa (que adorávamos ler juntas), as minhas camisas xadrez que escondeu quando me ensinou a usar preto e branco, meus chinelos, aqueles que tu dizia me deixar mais nova.

       Não me leve a mal, não é você sou eu que não quero mais dançar esta música, quero viver, aprender novamente a enxergar o mundo com outros olhos, e estes olhos já não podem ser os seus. Quero embriagar-me não mais de lembranças e sim de experiências, não quero mais me abster de nada nem do que fui nem do que sou ou serei.
Como disse: não é você, sou eu, não leve a mal, apenas não te quero mais.

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